Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS)

Publicado por 22 de Junho de 2022 em

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Contexto

A inovação tecnológica tem permitido grandes avanços no cuidado em saúde e as intervenções terapêuticas, preventivas e diagnósticas são continuamente ampliadas. Com isso, a tomada de decisão de gestores em relação à incorporação de tecnologias em saúde torna-se cada vez mais desafiadora [1]. Nesse contexto, a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é um processo fundamental para garantir acesso a serviços em saúde com equidade, qualidade e sustentabilidade [2].

 

Tecnologias em saúde

Em saúde, o termo tecnologia adota um conceito amplo que abrange produtos, insumos, procedimentos, sistemas organizacionais e estratégias que são utilizados ou implementados para promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos, diagnóstico, tratamento e redução de danos. Entre as tecnologias estão, por exemplo, medicamentos, vacinas, testes diagnósticos, equipamentos e dispositivos [3].

As tecnologias em saúde podem ser categorizadas de acordo com sua natureza, propósito e estágio de difusão (Quadro 1) [4].

 

Quadro 1 – Classificação das tecnologias em saúde de acordo com a natureza material, propósito e estágio de difusão [4].

 

Definição

A ATS pode ser definida como a avaliação sistemática das propriedades, efeitos e impactos da tecnologia em saúde [4]. Para isso, evidências de revisões sistemáticas, avaliações econômicas e análise programas e serviços são consideradas para investigar quais seriam as consequências clínicas, econômicas e sociais da incorporação de tecnologias no contexto e sistema de saúde em questão [3,4].

O principal objetivo da ATS é fornecer subsídio para a formulação de políticas em saúde e melhorar o processo de tomada de decisão através da síntese de informações baseadas em evidências sobre potenciais benefícios, riscos e custos associados as tecnologias avaliadas. A utilização de documentos elaborados pela lógica da ATS não fica limitada e pode ser empregada de diversas maneiras, como apresentado na Figura 1.

 

Figura 1. Atores e finalidade na utilização da ATS

 

Devido a variabilidade na finalidade da avaliação, os processos de ATS não ficam restritos a etapas pré-definidas e apresentam certa flexibilidade metodológica. Entretanto, dependendo do documento que será elaborado a partir desse tipo de avaliação, alguns passos básicos podem ser parcialmente ou totalmente considerados. Nesse sentido, o impacto da utilização de uma tecnologia promissora é avaliado para uma certa população e em determinado contexto de saúde através da busca sistemática por evidências científicas em bases de dados relevantes. Os documentos encontrados a partir da busca passam então por etapas de elegibilidade. Dados dos estudos primários selecionados são extraídos e esses estudos são avaliados quanto sua qualidade metodológica e certeza da evidência. Por fim, procede-se com síntese de evidências e, se for o caso, com a formulação de recomendações. Passos subsequentes relacionam-se à disseminação de resultados e ao monitoramento do impacto do documento [1].

Apesar do surgimento da ATS ter sido impulsionado pela difusão dos conhecimentos em Saúde Baseada em Evidências (SBE), é necessário lembrar que esses conceitos convergem até certo ponto. Além de considerar a melhor evidência científica possível para aplicação à prática clínica – como dita o princípio da SBE -, os processos de ATS também devem avaliar outras questões, como sistema de saúde, contexto local, preferências dos pacientes e custos, uma vez que seus resultados poderão ser utilizados na elaboração de políticas públicas e na tomada de decisão compartilhada.

 

Autores: Andréa da Silva Dourado, aluna de graduação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Supervisão: Daniela Oliveira de Melo, professora adjunta do graduação em Farmácia, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Como citar: Dourado AS. Melo DO. Avaliação de Tecnologias em Saúde. Estudantes para Melhores Evidências (EME) Cochrane. Disponível em: [colar link]. Acessado em [dia, mês e ano].

 

Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde. Avaliação de Tecnologias em Saúde: Ferramentas para a Gestão do SUS [Internet]. Ministério da Saúde. 2009. 112 p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/avaliacao_tecnologias_saude_ferramentas_gestao.pdf.

2. Novaes HMD, de Soárez PC. Organizações de avaliação de tecnologias em saúde (ATS): Dimensões do arcabouço institucional e político. Cad Saude Publica. 2016;32:1–14.

3. Elias FTS. Avaliação de Tecnologias em Saúde: propósitos e desenvolvimento no mundo e no país. Avaliação Tecnol saúde políticas informadas por evidências [Internet]. 2017;22:456p. Disponível em:: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/42958/2/CAP_Avaliação de Tecnologias em Saúde.pdf.

4. Goodman CS. Introduction to Health Technology Assessment. National Library of Medicine. 2014

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