Escala PEDro

Publicado por 17 de Maio de 2023 em

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Contexto 

Ensaios clínicos randomizados são considerados os desenhos de estudos mais adequados para estimar os efeitos de uma intervenção em saúde [1]. Assim, a qualidade metodológica é fundamental para garantir a confiabilidade dos resultados destes estudos [2]. 

Muitas ferramentas com a finalidade de avaliar a qualidade metodológica de ensaios clínico foram testadas, validadas e estão disponíveis – entre elas, a escala PEDro (disponível em: https://pedro.org.au/portuguese/resources/pedro-scale/).  

A escala foi desenvolvida para ser usada na avaliação de estudos relatados em artigos indexados na base Physiotherapy Evidence Database (PEDro), uma base de dados de fisioterapia, mas atualmente sua utilização foi expandida para outros cenários [3-8]. A versão em português está disponível em  https://pedro.org.au/portuguese/resources/pedro-scale/. 

 

Escala PEDro 

A escala Pedro é composta por 11 itens, divididos em três categorias [6]:  

  • Validade externa (item 1); 
  • Análise do risco de viés (itens 2 a 9); 
  • Descrição estatística (itens 10 e 11).   

O resultado da escala é uma pontuação, de 0 a 10, onde quanto maior a pontuação, melhor a qualidade metodológica. Para a atribuição da pontuação para cada um dos itens, os mesmos devem ter sido relatados de forma clara e apropriada. O item 1 não deve ser contabilizado para a pontuação final. De acordo com a pontuação final, considera-se a qualidade metodológica do ensaio clínico: 

  •  “Ruim” (< 4);  
  • “Razoável” (4-5);  
  • “Bom” (6-8); ou 
  •  “Excelente” (9-10) [4].  

 

Itens da escala PEDro 

Item 1: Os critérios de elegibilidade foram especificados? 

O autor do estudo precisa deixar claro no texto quais foram os critérios de inclusão e exclusão dos participantes. Este item não conta na pontuação geral da ferramenta, mas é utilizado para analisar a validade externa do estudo. 

Item 2: Os participantes foram aleatoriamente distribuídos nos grupos comparados? 

Este item diz respeito à randomização do estudo, ou seja, se os grupos foram formados de forma aleatória com métodos apropriados. 

Item 3. A alocação dos participantes foi secreta? 

Se foram adotadas medidas para garantir a implementação da sequência de randomização gerada.  

Item 4. Inicialmente, os grupos eram semelhantes no que diz respeito aos indicadores de prognóstico mais importantes? 

Ao analisar os resultados do estudo, as informações da linha de base (características dos sujeitos incluídos) nos mostram o quanto à randomização foi capaz de gerar grupos similares ou não, ou seja, sucesso ou insucesso da randomização. É importante que, tanto o grupo intervenção quanto o grupo controle, tenham características similares para que estas não influenciem nos desfechos dos estudos. 

Item 5. Todos os participantes eram mascarados com relação à intervenção recebida?   

Item 6. Toda a equipe relacionada com a administração da intervenção era mascarada com relação à intervenção recebida? 

Item 7. Os avaliadores dos desfechos eram mascarados com relação à intervenção recebida? 

Item 8. Mensurações de pelo menos um resultado-chave foram obtidas em mais de 85% dos participantes inicialmente distribuídos nos grupos de intervenção? 

Este item se refere ao número de participantes que finalizaram o estudo. Havendo perda maior do que 15%, este item não deverá ser pontuado. 

Item 9. Todos os participantes receberam exatamente a intervenção para a qual foram alocados e, quando não foi esse o caso, fez-se a análise dos dados para pelo menos um dos desfechos-chave por “intenção de tratar”? 

O autor do estudo não deve excluir os dados de participantes que não seguiram o tratamento, por qualquer motivo. Deve-se descrever a “análise por intenção de tratar” e os métodos de imputação para estes dados faltantes. 

Item 10. Os resultados das comparações estatísticas intergrupos foram descritos para pelo menos um desfecho-chave? 

Os resultados obtidos a partir de análise estatística comparando os grupos estão claramente descritos? O autor deve apresentar estes dados com algum teste de hipótese, valor de p ou diferença entre os grupos pela visualização do intervalo de confiança. 

Item 11. O estudo apresenta tanto medidas de precisão como medidas de variabilidade para pelo menos um desfecho-chave? 

O tamanho do efeito dever ser apresentado por medidas resumo como diferença de médias, risco relativo, diferença de risco, hazard ratio, odds ratio, entre outras.  

 

Limitações da escala PEDro 

A escala apresenta limitações importante discutidas na literatura e entre elas estão: 

  • Estudos quasi-randomizado recebem pontuação máxima no item 2, o que pode não ser apropriado, uma vez que a quase-randomização se associa a vieses como a falta de randomização [10]. 
  • Apenas estudos que tiveram taxa de perdas maiores de 15% deixam de pontuar no item 8. No entanto é sabido que o viés de atrito está relacionado não apenas a taxa de perdas, mas ao desbalanço quantitativo e qualitativo causado entre os grupos devido às perdas, bem como depende do tamanho de efeito observado [11].  
  • Os itens 8, 9 e 11 consideram como suficiente quando pelo menos um desfecho-chave é adequado, o que não necessariamente assegura qualidade para os demais desfechos. 

 

 

Autores: Jhony de Almeida Estevam, Murillo Mateus Ismail, Paulo Ricardo Giusti, Talles Falqueto Renon, Vitor da Mata Vaz. Alunos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Baseada em Evidências, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

 

Citar como: Estevam JA, Ismail MM, Giusti PR, Renon TF, Vaz VM. Escala PEDro.  Estudantes para Melhores Evidências. Cochrane. Disponível em: [adicionar link da página da web]. Acessado em: [adicionar dia, mês e ano de acesso].    

 

Referências  

  1. Sackett D, Haynes B, Marshall T, Morgan WKC. Evidence-based medicine. The Lancet. 1995;346(8983):1171-1172. doi: 10.1016/s0140-6736(95)91850-7. PMID: 7475646.
  2. Furuya-Kanamori L, Xu C, Hasan SS, Doi SA. Quality versus Risk-of-Bias assessment in clinical research. J Clin Epidemiol. 2021;129:172-175. doi: 10.1016/j.jclinepi.2020.09.044. PMID: 33422267.
  3. Moseley AM, Rahman P, Wells GA, Zadro JR, Sherrington C, Toupin-April K, Brosseau L. Agreement between the Cochrane risk of bias tool and Physiotherapy Evidence Database (PEDro) scale: A meta-epidemiological study of randomized controlled trials of physical therapy interventions. PLoS One. 2019;14(9):e0222770. doi: 10.1371/journal.pone.0222770. PMID: 31536575; PMCID: PMC6752782.
  4. Cashin AG, McAuley JH. Clinimetrics: Physiotherapy Evidence Database (PEDro) Scale. J Physiother. 2020;66(1):59. doi: 10.1016/j.jphys.2019.08.005. PMID: 31521549.
  5. Physiotherapy Evidence Database – PEDro. Escala PEDro. Disponível em: https://pedro.org.au/portuguese/resources/pedro-scale/. Acessado em03 de maio de 2023.
  6. Verhagen AP, de Vet HC, de Bie RA, Kessels AG, Boers M, Bouter LM, Knipschild PG. The Delphi list: a criteria list for quality assessment of randomized clinical trials for conducting systematic reviews developed by Delphi consensus. J Clin Epidemiol. 1998;51(12):1235-41. doi: 10.1016/s0895-4356(98)00131-0. PMID: 10086815.
  7. Yamato TP, Maher C, Koes B, Moseley A. The PEDro scale had acceptably high convergent validity, construct validity, and interrater reliability in evaluating methodological quality of pharmaceutical trials. J Clin Epidemiol. 2017;86:176-181. doi: 10.1016/j.jclinepi.2017.03.002. PMID: 28288916.
  8. Maher CG, Sherrington C, Herbert RD, Moseley AM, Elkins M. Reliability of the PEDro scale for rating quality of randomized controlled trials. Phys Ther. 2003;83(8):713-21. PMID: 12882612.
  9. de Morton NA. The PEDro scale is a valid measure of the methodological quality of clinical trials: a demographic study. Aust J Physiother. 2009;55(2):129-33. doi: 10.1016/s0004-9514(09)70043-1. PMID: 19463084.
  10. Santos GM, Riera R.  Randomização e Sigilo de Alocação. Estudantes para Melhores Evidências. Cochrane. Disponível em:   https://eme.cochrane.org/randomizacao-e-sigilo-de-alocacao/. Acessado em 9 de maio de 2023.
  11. Catalogue of Bias Collaboration, Bankhead C, Aronson JK, Nunan D. Attrition bias. In: Catalogue Of Bias 2017. https://catalogofbias.org/biases/attrition-bias/.

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