Journal Club Tool – coortes/estudos de caso-controle

Publicado por 8 de Junho de 2022 em

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Ferramenta prática de avaliação sistematizada de coorte/caso-controle para atividades de Journal Club. 

Contexto 

Existem algumas ferramentas na literatura para avaliar a qualidade metodológica de coortes e estudos de caso-controle, entre elas: 

  • Ferramentas do Centro de Medicina Baseada em Evidências de Oxford [1] (leia mais sobre estas ferramentas neste post do EME: https://eme.cochrane.org/ferramentas-de-avaliacao-critica-de-oxford/).  
  • New Castle-Ottawa Scale [2]; 
  • Downs and Black [3]; 
  • Risk of Bias in Non-randomized Studies of Interventions (ROBINS-I) [4]; 
  • Risk of Bias in Non-randomized Studies of Exposicion ROBINS-E [5]. 

 

Durante as atividades da Liga de Medicina Baseada em Evidências e na Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, da Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) [6], desenvolvemos algumas ferramentas práticas para diferentes desenhos de estudo, e que têm sido usadas por alunos de graduação, pós-graduação, residentes e professores em atividades de Journal Club. 

O Quadro 1 apresenta a ferramenta Journal Club Tool – coorte/caso-controle e orientações para sua aplicação. 

Quadro 1. Journal Club Tool coorte/caso-controle e orientações para sua aplicação. 

Journal Club Tool – coorte/caso-controle 
Geral 
  Pergunta  Orientações 
1  Conflito de interesses 
  • Declaração de potenciais conflitos de interesse financeiro e não-financeiro dos autores. 
  • Considerar se há conflitos potenciais. 
2  Fonte de financiamento 
  • Declaração de fonte específica de financiamento, 
Pergunta de interesse 
  Pergunta  Orientações 
3  Qual o PICO/PECO? 
  • Identificar os elementos do acrônimo. 
4  A pergunta de interesse do estudo é relevante para a prática?   
  • A pergunta ainda não foi respondida de modo satisfatório pela literatura atual. 
  • A pergunta envolve uma situação clínica relevante  
Métodos 
  Pergunta  Orientações 
5  Qual o desenho do estudo 
  • Considerar se coorte prospectivo ou retrospectivo, ou caso-controle. 
6  A determinação do desfecho clínico (no caso de estudos coorte) ou a distinção entre casos e controle (estudos caso-controle) foi livre de vieses?   
  • Considerar mascaramento do avaliador do desfecho (determinação dos casos).  
7  Os grupos de comparados eram semelhantes, exceto pela exposição? 
  • Há descrição clara de critérios de inclusão e exclusão?   
  • As características dos grupos comparados eram semelhantes?   
  • Considerar se houve pareamento na seleção da amostra 
  • Foram feitos ajustes para fatores confundidores? (idade, tempo de exposição, outros fatores de risco…)   
Resultados 
  Pergunta  Orientações 
8  As perdas foram descritas e são aceitáveis?     
  • Considerar a frequência de perdas, o balanço entre os grupos de intervenção quanto à frequência de perdas e suas razões.   
  • Considerar o potencial impacto das perdas ao resultado observado.  
  • Houve planejamento para lidar com perdas? (análises, imputação de dados, etc) 
 9  A estimativa de tamanho de efeito foi apresentada? 
  • Qual a medida de tamanho de efeito relatada? Ela está apropriada?  
  • Uma medida de confiança para esta estimativa foi apresentada (intervalo de confiança de 95%)?  
  • Se não houve diferença estatística, o tamanho da amostra foi suficiente para encontrar uma diferença minimamente relevante?    
10  Relevância clínica  
  • Se houve diferença estatística, esta diferença foi clinicamente importante?  
  • A significância clínica foi considerada na interpretação dos resultados? 
Discussão e conclusão 
  Pergunta  Orientações 
11  A possibilidade de associação causal foi considerada de forma adequada na interpretação dos resultados? 

 

12  Pontos fortes e fracos 
  • Principais pontos fortes e fracos (limitações) do estudo foram apontados pelos autores? 
  • Estratégias para minimizar as limitações foram adotadas e relatadas? 
13  Implicações para a prática    
  • A exposição pode ser evitada caso ela seja considerada um fator de risco?  
  • A exposição pode ser oferecida caso ela seja considerada um fator de proteção? 
14  Implicações para pesquisas futuras 
  • A partir dos achados do estudo, questões adicionais foram identificadas pelos autores e/ou por você? 
15  Conclusões 
  • As conclusões estão alinhadas aos objetivos? 
  • As conclusões estão alinhadas aos resultados e consideraram as limitações do estudo? 

 

Autores: Rafael Leite Pacheco, aluno de pós-graduação em Saúde Baseada em Evidências, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  

Supervisoras: Rachel Riera. Professora adjunta, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  Carolina de Oliveira Cruz Latorraca, professora de Medicina Baseada em Evidências, Centro Universitário São Camilo (CUSC). 

Citar como: Pacheco RL, Latorraca COC, Riera R. Ferramenta prática de avaliação sistematizada de coorte/caso-controle para atividades de Journal Club. Estudantes para Melhores Evidências. Cochrane. Disponível em: [adicionar link da página da web]. Acessado em: [adicionar dia, mês e ano de acesso].  

  

Referências 

  1. Centre for Evidence Based-Medicine [website homepage]. Critical appraisal tools. Disponível em: https://www.cebm.ox.ac.uk/resources/ebm-tools/critical-appraisal-tools Acessado em 6 de junho de 2022.  
  2. Wells GA, Shea B, O’Connell D. The Newcastle-Ottawa Scale (NOS) for assessing the quality of nonrandomised studies in meta-analyses. Disponível em: http://www.ohri.ca/programs/clinical_epidemiology/oxford.asp. 2008. Acessado em 6 de junho de 2022. 
  3. Downs SH, Black N. The feasibility of creating a checklist for the assessment of the methodological quality both of randomised and non-randomised studies of health care interventions. Journal of epidemiology and community health. 1998;52(6):377–384. doi: 10.1136/jech.52.6.377.  
  4. Sterne JA, Hernan MA, Reeves BC, et al. ROBINS-I: a tool for assessing risk of bias in non-randomised studies of interventions. Bmj. 2016;355:i4919. doi: 10.1136/bmj.i4919. 
  5. Preliminary risk of bias for exposures tool template. Disponível em: [http://www.bristol.ac.uk/population-health-sciences/centres/cresyda/barr/riskofbias/robins-e/]. Acessado em 6 de junho de 2022. 
  6. Rocha GFA, Pacheco RL, Latorraca COC, Riera R. First academic league of EBM in Brazil: experience report. BMJ Evid Based Med. 2021;26(5):263-265. doi: 10.1136/bmjebm-2020-111547. Epub 2020 Sep 17. PMID: 32943415. 
  7. de Souza AMG, Farto AVT, Bazaga MA, Ikezili SE, Riera R. Como avaliar associação causal: critérios de Bradford Hill. Estudantes para Melhores Evidências. Cochrane. Disponível em: de Souza AMG, Farto AVT, Bazaga MA, Ikezili SE, Riera R. Como avaliar associação causal: critérios de Bradford Hill. Estudantes para Melhores Evidências. Cochrane. Disponível em: https://eme.cochrane.org/como-avaliar-associacao-causal-criterios-de-bradford-hill/. Acessado em 6 de junho de 2022. 

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